Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ganha-se e perde-se

Num país democrático, como creio que ainda é Portugal, depois de uma maratona eleitoral há vencedores e vencidos. Nesta eleição, não havendo por vontade dos eleitores uma maioria absoluta de um só partido, são facilmente identificáveis os dois grandes vencedores e também dois dos grandes derrotados. No primeiro lote está naturalmente o partido mais votado, o PPD/PSD, ainda que não tenha recebido a maioria absoluta que solicitou durante a campanha, acabou por conseguir uma distância confortável na casa dos dez pontos percentuais face ao segundo mais votado. O outro grande vencedor é o CDS-PP. Mais votos (mais de 60 mil do que em 2009), maior percentagem bem próxima dos 12%, mais 3 mandatos, passando a ter um grupo parlamentar de 24 deputados, tantos quanto as esquerdas comunista e bloquista ou radical em conjunto. Junta-se a estes factos o de ser a força partidária que faz a diferença para uma maioria parlamentar e governativa estável.




Os grandes perdedores são o PS e o BE. O primeiro pois era governo e deixou de o ser. Perde mais de meio milhão de eleitores. Perde 23 deputados. O segundo que sofre uma pesada derrota vendo o seu grupo parlamentar reduzido a metade (de 16 para 8 deputados). Perde quase 270 mil eleitores. O eleitorado tentou concertar o erro que cometeu ao eleger o governo do PS liderado por José Sócrates em 2009 e penalizou fortemente uma esquerda radical, que pelos vistos já não está tão na moda e que praticamente nenhum contributo construtivo consegue dar para a política nacional, primando pela utopia, extremismo e irresponsabilidade


A CDU apesar de conseguir mais um mandato na Assembleia da República, não consegue alcançar os 8% e perde mais de 5 mil votos face a 2009. Pouco mais há a retirar do que constatar mais uma vez a estabilidade do seu eleitorado onde as flutuações são reduzidas. Não perde nem ganha. Ou melhor, se por um lado ganha o deputado referido por outro perde alguns eleitores.


É mesmo assim, em democracia ganha-se e perde-se. É pena que ainda haja pessoas que não compreendem isto mesmo, como por exemplo a socialista Ana Gomes. Até por um voto se pode perder e por um ganhar. Não foi o caso. É perfeitamente exequível um governo forte e com base de apoio maioritária que execute um programa rigoroso adaptado às contingências actuais mas que não perca de vista os importantes assuntos sociais e culturais, dos quais depende o desenvolvimento de Portugal e sem os quais este nunca atingirá os níveis desejados. Espero que o grande vencedor e por muitos pontos ou motivos seja,fundamentalmente, o país.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Combate à abstenção.



O conceito de cidadania correlaciona o direito e o dever do indivíduo perante a sociedade onde se insere. É com alguma indignação e constrangimento que os valores elevados da abstenção após cada acto eleitoral espelhem o alheamento demonstrado pelos cidadãos num momento em que lhes era pedido que usufruíssem de um direito fundador de qualquer democracia. É constrangedor o facto do esquecimento de todos os homens e mulheres que no passado e no presente deram e dão o melhor de si, pondo fim a décadas de regimes autoritários e não democráticos. O facto de agora discutirmos a existência ou não de um número de eleitor, que numa primeira análise só serve para alimentar estatísticas e adulterar resultados e deixarmos para trás a discussão do verdadeiro problema que leva as pessoas a não votarem ou não participarem, provoca algum desconforto intelectual.
O exercício de voto é um exercício que qualquer cidadão deve exercer, fortalecendo desse modo a própria democracia. Um indivíduo que não vota, não se importa com o futuro colectivo, perdendo a legitimidade de qualquer crítica que queira expressar. A abstenção é uma “doença” que começa muito antes de ser diagnosticada. Quando se repara no fenómeno da abstenção, já é tarde, tornando a sua discussão na maior parte das vezes estéril. Isto porque o acto de ficar em casa e não votar é apenas uma parte de imenso problema que é o da cidadania não participativa, criando deste modo um vazio de acção. Fazem parte desse problema décadas de culto ao individualismo como racionalidade suprema na gestão da vida, ou do culto á juventude, com a correlativa desvalorização dos mais velhos. As consequências existências deste processo podem demorar a sentir-se, mas os seus efeitos na corrosão do princípio da solidariedade intergeracional são já reconhecíveis em muitos discursos, propostas e praticas relacionadas com o mundo do trabalho e com a segurança social.
Um cidadão praticante (do dever de cidadania) ocupa um lugar no espaço público, utiliza os serviços públicos, critica se for preciso para os defender e propõe a exigência de mais rigor, qualidade e atenção às finalidades sociais. Ao contrário um cidadão não praticante não estará presente nesse espaço público, a partir daí os serviços, os seus servidores e os seus beneficiários, tornam-se nesse “outro” que se ignora e se hostiliza.
A melhor forma de ter uma cidadania saudável, é levar os seus recursos onde for necessário e em primeiro lugar às escolas, aprofundar a memória dos direitos ganhos ou conquistados melhora a civilização, sem nunca perder de vista o processo democrático de aferição das finalidades daquilo que defendemos e que julgamos correcto. Isto faz-se nos dias das eleições e no dia a dia, participando. É que em bom rigor o cidadão não participante é uma ilusão, não existe, pelo menos como cidadão de pleno direito.

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2011.
Nuno Serra Pereira

domingo, 22 de maio de 2011

O teatro da política. O palco das campanhas

Se em democracia os actos eleitorais são parte integrante e fundamental as respectivas campanhas eleitorais também o são. Devem (deveriam sem excepções...) servir para esclarecer o eleitorado sobre o programa político de cada força partidária que se apresenta a votos, as propostas concretas que podem vir a solucionar problemas que afectam a sociedade portuguesa. Para isso existem os debates televisivos com os principais candidatos dos vários partidos, os tempos de antena, a comunicação e discussão de ideias cada vez mais realizadas em palcos disponibilizados pelas novas tecnologias, pelo crescimento e explosão da blogoesfera e das redes sociais, os jantares, comícios, arruadas e afins para fazer passar as mensagens às pessoas, aos cidadãos.


Esperemos que todos estes sejam contributos para o esclarecimento, para a consciencialização dos direitos e deveres de todos, para a decisão em consciência, para o combate à abstenção e para a promoção da participação e da cidadania. Alguns actores têm mais aptidão ou habilidade para o fazer do que outros. Alguns insistem em fornecer achas para a fogueira da confusão, da dubiedade, da dissimulação, da mentira, de que é campeão imbatível (nisto apenas espera-se!) o candidato Sócrates. Surgiram lágrimas de crocodilo e tudo. Já o fez em 2009 e ganhou as eleições. Muitos sentiram-se enganados. Outros só mais tarde se aperceberam do que acontecera. Esperemos que não se esqueçam disso no momento de fazer a escolha agora em 2011.


Temos de ter a consciência e a capacidade (dadas pelas experiências de vida mas muito também fruto da educação, formação e da cultura que devem ser cada vez mais abrangentes e disseminadas pelas populações) para podermos valorizar a verdade, os contributos construtivos e pela positiva, no fundo e usando uma conveniente e actual metáfora agrícola, separar o trigo do joio. Já foi dito, e concordo inteiramente com a afirmação, alguém que é uma autêntica máquina comunicacional e em campanha não é necessariamente o melhor dos políticos e ainda menos dos governantes.


Uma das questões que (ainda mais agora) se impõe é se queremos um actor que no ensaio representa bem e no palco do acontecimentos reais falha sistematicamente ou alguém que não tenha duas caras, nem deixe cair a máscara, aliás que nem sequer tenha máscara e enfrente a realidade com a dificuldade e a dureza que ela efectivamente apresenta. O ensaio geral deve ser praticamente o mesmo do que o espectáculo em si mesmo, com um respeito insubstituível pelo público que paga o seu bilhete para assistir activamente. Diria ainda mais e a política deveria também aprender com o teatro que se o actor falha e não cumpre com qualidade o seu papel, comprometendo o desenvolvimento da peça em cena, em última análise o dinheiro do bilhete dever-lhe-á ser devolvido. Para quando a responsabilização mais efectiva e concreta dos políticos que demonstrem incompetência e má gestão?


Se as eleições são momentos da vida democrática e as campanhas também o são devemos segui-las com espírito crítico e não nos deixarmos levar por discursos fáceis, porém irresponsáveis, por berros que nada defendem e apenas constituem ruído. Não depositar confiança em quem já provou vezes demais que não a merece é fundamental para que o erro declarado de 2009 não se repita. Não nos deixemos levar por ilusões, por palavras vãs e simplistas que não condizem com os actos de quem as profere com o alegado entusiasmo que mais não é que desespero. Claro que desta (e de qualquer outra) crítica o ainda primeiro-ministro Sócrates não gosta. É caso para dizer que a verdade doi, doi mas é necessária para que se façam as boas escolhas para que este país retome um rumo acertado e se vá fortalecendo e desenvolvendo, pois as oportunidades vão escasseando. As oportunidades devem ser dadas a quem já revelou ter boas ideias e boas soluções, a quem tem mérito, projecto e equipa para o executar com qualidade. Este é o momento!